quinta-feira, 12 de abril de 2007

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Um Teto sobre as nossas cabeças - (ou a Poética do Sótão).

"A casa é um corpo de imagens que dá ao homem razões ou ilusões de estabilidade. Ela é imaginada como um ser vertical e concentrado.
A sua verticalidade é proporcionada pela polaridade entre o porão e o sótão. E o teto, revela imediatamente sua razão de ser: cobre o homem que teme a chuva e o sol.
No sótão vê-se a nu, com prazer, o forte arcabouço do vigamento. Participa-se da sólida geometria do carpinteiro.
No porão também encontraremos utilidades, sem dúvida. Mas ele é, a princípio, o ser obscuro da casa, o ser que participa das potências subterrâneas..."
Em um estudo realizado pelo Professor Amos Rapoport em seu livro "House Form and Culture" (1969), ele ressalta a importância das imagens e dos símbolos para a forma da casa e diz que o telhado inclinado de duas águas é o símbolo mais poderoso de abrigo e segurança.
A psiquiatra francesa Ménie Gregoire pediu a crianças que nasceram e moravam em apartamentos para que desenhassem um lar. Sem exceção, todas desenharam uma pequena casa com duas janelas, um telhado de duas águas e uma chaminé expelindo fumaça. O telhado de uma residência tem um papel fundamental no inconsciente de todos os seres humanos. Tanto, que as habitações mais primitivas geralmente têm a forma de um telhado. Evidências como essas podem ser rechaçadas com alegações de serem culturalmente induzidas. No entanto, podemos dizer que fica faltando às pessoas a sensação mais profunda de abrigo e lar, quando o telhado está oculto, se é plano ou não é utilizável.
A economia complementa as razões simbólicas. Trata-se de algo totalmente irracional, construir-se uma casa com cobertura inclinada (telhado) e não tornar habitável este espaço tão rico em poesia e utilidade.
O sótão tem que ser um espaço vivo e útil, um lugar com o qual se tenha contato diário. De maneira que os telhados não só cubram as habitações mas, formem-nas. Cada vez mais uma grande parte da superfície das cidades consiste de telhados, vários edifícios uns ao lado dos outros, cada um subindo mais, como que na busca de um lugar ao sol. Pois, exatamente por isso resulta que seja perfeitamente natural e essencial construir-se coberturas onde as pessoas possam aproveitar o sol e o ar livre.

terça-feira, 27 de março de 2007

O que o mundo está sentindo?

Desde 2005 dois caras lá nos EUA estão colhendo os sentimentos do mundo e nos dando um retrato da emoção humana. Eles inventaram uma sistema de capturar os sentimentos expressados pelas pessoas através de seus blogs ao redor do mundo. A cada poucos minutos, o "WE FEEL FINE" pesquisa na rede, novos posts em blogs onde apareçam as palavras "Eu sinto" ou "Eu estou sentindo". Quando encontra algo numa frase ele registra toda a sentença até o ponto e indentifica o sentimento expressado nela (felicidade, tristeza, depressão,etc.).
O resultado é um banco de dados com muitos milhões de sentimentos humanos que vem crescendo diariamente.
Os sentimentos podem ser procurados e classificados através de um número de faixas demográficas, oferecendo respostas a perguntas específicas como: Os europeus sentem mais tristeza que os americanos? As mulheres se sentem mais gordas do que os homens? O tempo chuvoso afeta nosso sentimento? Quais são os sentimentos mais representativos das Novaiorquinas de 20 anos? Quais são as cidades as mais felizes no mundo? E as mais tristes?
Vale apena gastar um tempo por lá, é muito legal. Clique em Open We Feel Fine e sinta.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Sítio de lazer publicado na Revista Construir.

Foi publicada na última edição da revista paulista Construir, um projeto do estúdio para a remodelagem de uma residência em um sítio de lazer no município de Viamão. A solicitação dos proprietários era de transformar o velho galpão anexo a residência em um espaço de convívio social para receber os amigos. Devido ao talento culinário dos proprietários e a força do arquétipo "comer juntos" a abordagem do projeto foi ancorada num espaço em torno da cozinha, do preparar a refeição, e de compartilhar este ato com os convidados. Comer juntos talvez seja o ato socializante mais antigo na história da humanidade, assim como o fogo é o mais antigo elemento de proteção e conforto. Juntos formam um arquétipo que remonta à era das cavernas: após um dia de caça, nossos ancestrais se reuniam em volta da fogueira para preparar e compartilhar o alimento. Este era também o momento da troca de informações cotidianas e da transmissão de conhecimentos de geração para geração. Hoje, as festas de aniversário, casamentos, a ceia de natal, almoços com a família ou de negócios, jantar com os amigos, são exemplos ocidentais com equivalentes em todas as sociedades e culturas. Praticamente não há um acontecimento humano importante que não baseie sua capacidade de vínculo e seu caráter sagrado na comida e na bebida.



Olhar Estrangeiro - 1 (um olhar diferente sobre Porto Alegre)

Eu tenho um cunhado e grande amigo chamado Glen Gorhan. Ele é americano e vive em SanDiego, Califórnia. Sempre que Glen vem a Porto Alegre, eu fico impressionado com as imagens registradas por ele. Imagens de uma cidade que, confesso, não vejo durante a minha correria diária, e acredito que a maioria dos que vivem por aqui também não. Fotografar é um modo de estabelecer um lugar como seu. Cada imagem é uma referência num mapa que o recém-chegado vai aos poucos traçando, um componente a mais no seu quadro imaginário. Uma série de portas, os postes de luz, as cercas, os grafittes, os jardins, as escadarias, os letreiros, os prédios... aquele que veio de fora descobre padrões nas coisas mais comuns, naquelas a que ninguém presta atenção. Ele transfigura o conhecimento ou o banal em algo único, delineia um rosto onde antes era pura confusão ou vazio. É o oposto de outra modalidade de viajante contemporâneo, o turista, que na sua apatia nunca olha duas vezes para a mesma coisa. Glen olha para a nossa terra com um olhar estrangeiro, e nessas formas aparentemente sem gravidade nem persistência que ele registra, vai nos fazendo encontrar a presença e o significado de coisas que estavam invisíveis para a maioria de nós, dentro da nossa própria cidade. Vou ir apresentando aos poucos estas imagens por aqui...

quarta-feira, 7 de março de 2007

O Perfume

Esta estranha história passa-se no século XVIII e há todo um extraordinário trabalho de reconstitução histórica, não só da época e das mentalidades como do ofício de perfumista, que então era particularmente valorizado e que estava a cargo de artesãos especializados. Patrick Suskind conduz o leitor de página em página, de odor em odor, de perfume em perfume, enebriando-o, arrebatando-o nessa alquímica busca do Absoluto que é a do seu personagem: a busca do perfume ideal, isto é, a forma suprema da Beleza. Nessa busca nada deterá Jean-Baptiste Grenouille - que nascera no meio dos mais nauseabundos fedores, numa banca de peixe -, nem mesmo os crimes mas hediondos. Este personagem monstruoso possui no entanto algo de extremamente inquietante, a sua própria incorrupta pureza. É o primeiro romance publicado por Patrick Suskind, um alemão nascido na Baviera, que até aqui escrevera uma unica peça de teatro. Com O Perfume, Suskind, emergiu meteoricamente do anonimato. A crítica internacional dos mais diversos sectores tem-no destinguido como um dos mais importantes romances desta década, constituindo este livro um dos mais assombrosos casos de bestseller, dos ultimos tempos em todo o mundo.
Este livro é, na minha opinião, uma obra-prima. Desde o momento inicial da leitura, somos carregados ao longo das páginas pelo mais primitivo dos nossos sentidos, o cheiro. A história é tão envolvente e bela que nos esquecemos que é retratada a história de um assassino.
publicado no blog Obvious - http://blog.uncovering.org/

O hábito, a bobagem e o desprezo dos arquitetos.

Obrigatoriamente a forma de habitarmos nossas casas também está mudando. Philippe Starck nos fala um pouco sobre estas mudanças, principalmente sobre aquelas a que muitos resistem ...
"As obras dos arquitetos evoluem, hoje, entre o hábito, a bobagem e o desprezo. O hábito, porque muitas pessoas não pensam na organização do cômodo quando constróem ou compram um imóvel, e os arquitetos e incorporadores fazem, portanto, o que sempre se fez.
A bobagem, porque certos arquitetos imaginam que passarão por imbecís se se recusarem a prever uma sala de visitas e uma sala de jantar na casa dos clientes.
Finalmente, o desprezo, porque arquitetos e incorporadores imaginam ser suportável que, ao fim de um dia de trabalho, uma mulher seja obrigada a ficar preparando a refeição na cozinha, fazendo idas e vindas à sala, onde o resto da família assiste TV. Faz vinte anos que eu brigo para instalar a cozinha na sala de estar, abandonando a mesa convencional. Estas duas ações, que os idiotas e os cegos poderiam qualificar de estéticas, são, na verdade, eminentemente políticas." Philippe Starck nasceu na França, em 1949. E é aclamado como um dos mais excitantes designers do final do século XX, Starck alcançou a fama quando remobiliou as salas privativas do presidente Mitterrand, no Palácio do Eliseu (1982). Vale a pena visitar o site deste arquiteto:http://www.philippe-starck.com/

terça-feira, 6 de março de 2007

Boas Idéias

Existe um site muito legal chamado designboom.com. Ele promove concursos de idéias entre designers, arquitetos, estudantes e qualquer pessoa criativa que se ache apta a participar.
Lá surgem soluções incriveis para os mais diversos temas. Gente do mundo todo participa. Neste, o tema foi azulejos e como dá prá ver as soluções apresentadas são todas muito boas. No exemplo ao lado(que nem foi o vencedor), azulejos componíveis, são baseados em imagens de satélite de complexos de viadutos, ou de qualquer outra coisa urbana grande (estádios e tal). Nas palavras do autor desta série inicial de 25 azulejos: "Só assim você pode ter as estradas da Catalunha dentro do seu banheiro."

domingo, 4 de março de 2007

Pós-Modernidade

Um certo homem decidiu derrubar sua velha casa onde foi criado desde sua infância, e de um dia para outro demoliu tudo, porém não planejou a sua nova morada, ficando ao relento...
Pós-modernidade nada mais é do que um período de transição indefinível, com mudanças de paradigmas e conceitos abstratos e subjetivos, onde ninguém consegue ao certo conceituá-la. Como todo “PÓS”, somente o futuro dará um nome a esta tremenda confusão e indefinição para o momento que vivemos. Os contemporâneos não são os melhores observadores do momento histórico, pois o envolvimento emocional do momento vem permeado de aspectos ideológicos indissociáveis de um observador isento de quaisquer influências. Corremos alguns riscos ...


  • O risco da construção de uma sociedade de consumo adicto. O vício do consumismo.
  • O risco da construção de uma sociedade Hedonista. O prazer pelo prazer.
  • O risco da construção de uma sociedade niilista. A Ausência total de referencial. Há uma total ausência de ícones na sociedade pós-moderna.
  • O risco da construção de uma sociedade individualista. Estamos vivendo momentos em que as relações humanas não tem valor algum, a não ser na base da troca. Precisamos resgatar valores como cooperação, amizade, companheirismo, reciprocidade, etc.
  • O risco da construção de uma sociedade “tecnológicêntrica”. Desde Descartes passamos a adotar o falso mito da racionalidade humana como veículo de domínio da explicação do mundo.
  • O risco da construção de uma sociedade amoral. Crucial questão: Qual é o limite do homem?
  • O risco da construção de uma sociedade com perda de identidade cultural.

Porém, como em tudo na vida, o segredo está em não se deixar controlar, mas em poder aproveitar de maneira construtiva o que a troca da antiga ordem traz de bom nesta busca pela liberdade, encarando a fragmentação da cultura e do sujeito contemporâneos.