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sexta-feira, 20 de março de 2009

Coisas da vida.

"Os objetos que estão em casa são quase parentes. Eles presenciam nossa história e também guardam nossa memória."
texto de Mariana Sgarioni - publicado na revista vida simples de julho de 2008 Se o criado-mudo falasse, provavelmente seria o maior contador de histórias de que se tem notícia bom, nesse caso, para início de conversa, ele teria que trocar de nome. E o que dizer daquele sofá velho, meio afundadinho em uma das extremidades, que denuncia de imediato qual o seu canto preferido de se esparramar? Não dá nem para pensar em trocá-lo, até porque nenhum será tão confortável e aconchegante quanto ele.
O que, afinal, faz com que as coisas tenham tanto valor para nós? Bem, esqueça o dinheiro. Um objeto de alto valor no mercado pode não dizer absolutamente nada para você. Esta afirmação foi provada pelo professor de psicologia e educação na Universidade de Chicago Mihaly Csikszentmihalyi (sim, o nome dele é esse mesmo, sua origem é croata). Ele visitou 80 famílias americanas e perguntou o que era mais importante para cada uma delas dentro de casa. A grande maioria não indicou nada de alto valor monetário. Era sempre algo de valor afetivo: a cadeira de balanço que foi do avô, a colherzinha da infância, a mesa de estudos da adolescência. Os artefatos têm participação ativa no cotidiano. Eles organizam práticas sociais, influenciam comportamentos, incorporam metas e se tornam inseparáveis daquilo que somos, afirma. Isso significa que as coisas têm vida social, são palco de nossas experiências e, sim, são impregnadas de emoções.
As coisas e nós O estudo de Mihaly mostra que a tão propagada cultura do descartável não está tão presente assim no que diz respeito à vida privada das pessoas. Nós fazemos questão de guardar aquilo que realmente nos importa. Isso pode acontecer quando um objeto nos lembra alguém especial, como a cadeira de balanço do vovô, que remete à lembrança do próprio vovô ali, ainda presente dentro de casa. Ou quando ele nos remete a um lugar que merece ser lembrado, como aquela recordação de uma viagem feita com seu melhor amigo. E ainda se o objeto tem a ver com nossos valores, com o que pensamos. Tipo uma mesa feita de madeira proveniente de reflorestamento, que representaria nossa preocupação com o meio ambiente, nosso modo de encarar o mundo, os valores que queremos para o futuro. Por isso seria tão cara para nós.
Você mede a maturidade de uma pessoa com base na história das suas coisas, diz Vera Damazio, coordenadora do LabMemo (Laboratório Design, Memória e Emoção), da PUCRJ. O que quer dizer que tudo dentro de casa tem uma história, uma memória. E, se você reparar bem, muitas vezes a gente guarda uma infinidade de objetos em casa que não tem nenhuma funcionalidade prática ou óbvia. E não estou falando só de quinquilharias velhas. Um espremedor de suco, por exemplo, que é lindo de morrer, supermoderno, novíssimo. Mas que vaza e não pode ser usado para fazer suco serve só como decoração e para puxar conversa com os amigos visitantes. Minha casa está repleta de coisas que não funcionam direito, diz Don Norman, psicólogo americano e autor do livro Emotional Design Why We Love (or Hate) Everyday Things (Design emocional Por que adoramos [ou odiamos] os objetos do dia-a-dia, sem tradução). Mas mesmo assim eu quero todas essas coisas lá, do jeitinho que estão.
Então por que nos apegamos tanto assim a objetos, até mesmo àqueles que nem funcionam? Bem, é que cada coisa interage conosco de maneira diferente, nos lembra pessoas diferentes e tem uma recordação específica boa ou má. Em sua tese de doutorado Artefatos de Memória da Vida Cotidiana Um Olhar sobre as Coisas que Faz Bem Lembrar, Vera pesquisou quais foram os objetos que melhor testemunharam a passagem da vida para as pessoas. As respostas foram surpreendentes: há desde papeizinhos de bala toffee até medalhinhas e flores secas guardadas dentro de livros. São lembranças de reconhecimento, de que somos amados.
Objetos e afetos Para começar, as coisas são uma extensão de tudo aquilo que nosso corpo não consegue fazer. Nossos antepassados ficavam inventando tralhas para facilitar a vida e assim viver melhor, uma vez que o meio é hostil. Por exemplo: criamos camas que são uma ajuda para nos ajeitarmos e dormirmos gostoso sem nos machucarmos nas pedras. Os leques ajudam a vencer o calor. As mantas aquecem. E assim vai. Nos tempos atuais, ainda continuamos a buscar aquilo que nos ajuda e protege. Mas não é só isso. A grande função dos objetos de hoje deve ser a de aproximar as pessoas, diz Vera. Ela quer dizer que ninguém escolhe um sofá, por exemplo, pensando somente em si próprio. Pensamos nos amigos que vão sentar nele, nas reuniões que vão acontecer na sala, nas pessoas queridas. Sempre compramos objetos para interagir com os outros. Ninguém vive só. Queremos que os outros gostem, queremos ser aceitos. É por isso que esses objetos guardam história, eles são fruto de uma vivência social.
Foi assim que apareceu em 1999 o que se chama hoje de design emocional. Na Holanda, esses novos designers trabalham com a agradabilidade dos objetos, tentam buscar respostas emocionais nos usuários. Ou seja: eles querem provocar (ou evocar) sentimentos. Tudo parte da premissa de que escolhemos as coisas com base na emoção e não na razão. O neurologista português Antonio Damásio, da Universidade de Iowa, autor do livro O Erro de Descartes Emoção, Razão e o Cérebro Humano, é um dos principais defensores dessa idéia, afirmando que, ao contrário do que dizia o filósofo que imortalizou a máxima penso, logo existo, a tomada de decisões do ser humano está diretamente ligada à capacidade de sentir. Damásio afirma que os objetos têm sim competência emocional e são capazes de despertar toda a sorte de emoções em seus usuários. É por isso que escolhemos sempre aquilo que nos parece mais bonito, e não coisas que são apenas uma utilidade pura e simples. Até porque as coisas bonitas, por causarem uma boa sensação, também nos dão a impressão de funcionarem melhor, diz Norman. Com isso em mente, os designers emocionais têm como objetivo promover sentimentos positivos e condutas socialmente responsáveis. De que jeito? Isso é meio complicado, uma vez que o significado dado a cada objeto na maioria das vezes independe de quem o projetou. Por exemplo: você guarda com todo cuidado aquela caixinha que ganhou de presente da sua mãe ao fazer 18 anos. Ou odeia a tal caixinha, pois naquele dia tomou um belo fora do seu namorado ou namorada. E o pobre designer que a desenhou nem imagina que isso aconteceu. Segundo Júlia Peixoto de Carvalho Lima, adepta do design emocional, o designer pode não ter todo o domínio do sentimento provocado mas ele pode muito bem dar uma forcinha. Por exemplo: ele pode inventar objetos próprios para dar de presente ou coisas específicas para alguém expressar o amor. Isso certamente será memorável e guardado em casa por muito tempo. Não se trata de desenhar uma cadeira, e sim algo para as pessoas se sentarem. É preciso olhar para o tipo de relação que se tem com as coisas e estabelecer o objetivo que se quer com isso, diz. Ao observar o tipo de emoção que cada coisa provoca, você percebe que nenhum objeto é neutro. Ele tem vida própria.
Provocando emoções Mas como seria possível despertar uma emoção a partir de um ser inanimado? De muitas formas. Primeiro, é preciso um objetivo claro do que se quer. Um exercício feito pelos alunos de design da PUC-RJ foi o de inventar algo para aliviar as tensões do dia-a-dia. Uma aluna criou um saco de papel. Ele serve para encaixar a boca e gritar todo tipo de xingamento possível ali dentro. Em vez de ofender alguém, você pode descarregar toda a raiva no saco. E depois sair bem soltinho, levinho. Uma outra criação foi um prato próprio para ser atirado na parede. Depois de estilhaçado, ele é facilmente recomposto e pode ser remontado para um próximo ataque de fúria.
Um outro exercício divertido foi o de criar algo para driblar a ansiedade. Ao pensar que todo ansioso põe alguma coisa na boca, muitas vezes o lápis ou as unhas, um criativo inventor bolou pequenas borrachinhas comestíveis, de sabores variados, para serem encaixadas em canetas ou lápis. Outra idéia interessante é um item que já existe no mercado e que reforça o sentimento de despertar o acolhimento e a aproximação entre as pessoas: o guarda-chuva bem grande, para duas pessoas, um estímulo para dar carona nos dias de chuva. A idéia é que os objetos façam você se sentir melhor e que você se lembre sempre deles, afirma Júlia. Vera Damazio completa: A gente é aquilo que a gente lembra.
LIVROS• Emotional Design Why We Love (or Hate) Everyday Things, Donald A. Norman, Basic Books• O Erro de Descartes Emoção, Razão e o Cérebro Humano, Antonio R. Damásio, Companhia das Letras.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

CYBERTEK – Cyber Home

Uma cyber home é um estabelecimento semelhante a uma lan house, com a diferença de não dispor de jogos online, pois o objetivo é oferecer navegação pela internet, edição, impressão de textos e outros serviços relacionados. A Cybertek é uma cyber home de sucesso que recentemente passou por uma profunda transformação com o objetivo de captar mais usuários e atender com mais qualidade a sua já numerosa clientela.
projeto George Martins arquitetura+design

sexta-feira, 30 de maio de 2008

HISTÓRIAS DA HISTÓRIA DA ARQUITETURA.

Ville Savoy
Se os modernistas no íntimo desenhavam tendo em mente o belo, por que justificavam o seu trabalho principalmente em termos técnicos?
Tão forte era o interesse estético dos modernistas que ele várias vezes prevalecia sobre considerações a respeito da eficiência. A Villa Savoye podia parecer uma máquina com intenções práticas, mas era na realidade uma extravagância com motivações artísticas. As paredes nuas foram feitas à mão por artesãos com argamassa caríssima importada da Suíça, eram delicadas como renda e tão destinadas a gerar sentimentos quanto as naves incrustadas de jóias de igrejas da Contra-Reforma.

Pelos próprios padrões do modernismo, a cobertura da Villa Savoye era igualmente, e ainda mais desastrosamente, desonesta. A despeito dos protestos iniciais dos Savoye, Le Corbusier insistiu supostamente com base em argumentos técnicos e econômicos apenas – que uma cobertura plana seria preferível a uma pontuda. Seria, ele garantiu aos seus clientes, mais barato para construir, mais fácil para conservar e mais fresco no verão, e Madame Savoye poderia fazer a sua ginástica em cima dela sem ser importunada por vapores úmidos que emanavam do térreo.

Mas a família se mudara havia uma semana apenas quando a cobertura por cima do quarto de Roger apresentou um vazamento, deixando passar tanta água que o menino contraiu uma infecção pulmonar, que se transformou em pneumonia, e ele acabou sendo obrigado a passar um ano recuperando-se num sanatório em Chamonix. Em setembro de 1936, seis anos depois do término oficial da construção da Villa, Madame Savoy resumiu os seus sentimentos sobre o desempenho da cobertura plana numa carta (respingada de chuva): “Está chovendo no hall, está chovendo na rampa, e a parede da garagem está totalmente encharcada. E o que é pior, continua chovendo no meu banheiro, que inunda com o mau tempo, pois a água passa através da clarabóia.”

Le Corbusier prometeu que o problema seria sanado imediatamente, e aproveitou a oportunidade para lembrar à sua cliente que o projeto para a cobertura plana fora recebido com entusiasmo por críticos especializados em arquitetura no mundo inteiro: “Os senhores deveriam colocar um livro sobre a mesa no hall do primeiro andar e pedir a todos os visitantes para registrarem por escrito os seus nomes e endereços. Verão que bela coleção de autógrafos será” Mas esta sugestão não serviu de consolo para a insatisfeita família Savoye. “Após inúmeros pedidos de minha parte, o senhor finalmente reconheceu que esta casa que construiu em 1929 é inabitável.” Repreendeu Madame Savoye no outono de 1937. “A sua responsabilidade está em jogo e eu não tenho que arcar com as despesas. Por favor torne-a habitável imediatamente. Espero sinceramente não ser preciso recorrer à justiça”.

Só a deflagração da Segunda Guerra Mundial e a consequente fuga da Família Savoye de Paris salvou Lê Corbusier de ter de responder no tribunal pelo projeto da sua máquina-de-morar praticamente inabitável, embora belíssima.

Extraído do livro A arquitetura da Felicidade de Alain de Botton – ed. Rocco.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Esgoto com arte.

Impregnado pela filosofia Zen que ensina a elevar à vida a um estado de arte, o povo japonês parece possuir o sentimento de que a perfeição e a harmonia devem estar presentes em todos os aspectos da vida. Estas imagens são de algumas das tampas de bueiros na cidade de Tokyo. Espalhadas pelas calçadas, estas tampas em alto relevo pintadas com cores vivas, são apenas mais um detalhe, mas contribuem para alegrar a paisagem urbana da cidade. É espantoso ver aquilo que todos desprezam, elevado a um estado de arte.

terça-feira, 4 de março de 2008

Janela Mágica.

Ela ainda é apenas um conceito, mas que conceito! Uma tablet ultra-conectada criada por Mac Funamizu, designer japonês. Como ainda não tem um nome, podemos chamá-la de "Janela Mágica". Ela tem incorporada câmera-scanner, GPS e conexão à internet. Isso a transforma em um poderoso instrumento para conhecer melhor o mundo e as coisas ao redor.
A idéia é pra lá de simples: enquadre algo que você deseja através do vidro. Pode ser um edifício, um carro, uma obra de arte, enfim, qualquer coisa. A imagem será então analisada e inúmeros sites, como Google, Google Earth, Wikipedia, etc, buscarão todas as informações possíveis sobre o assunto em questão. O mesmo vale para livros e revistas. Coloque sobre um texto e selecione a palavra que você quer. Seu significado ou sua tradução, aparecerão automaticamente na telinha. Aponte para um restaurante e descubra seu menu ou faça reservas. A "Janela Mágica", embora um gadget conceitual, tem toda a tecnologia disponível para ser produzida, dependendo, claro, dos custos de produção envolvidos e de uma série de outros fatores mercadológicos. Mas longe de ser ficção, quem sabe não andaremos em breve com janelinhas como essas no bolso?

extraído do blog Obvious